No último dia do Seminário de Extensão Universitária da Região Sul (Seurs), a curricularização da extensão foi o tema central de uma mesa redonda que antecedeu a cerimônia de encerramento do evento.

Seurs BalduinoO debate foi mediado por Alfredo Balduíno dos Santos, coordenador de Assuntos Estudantis e do Núcleo Extensionista Rondon da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). “Acreditamos que a questão da indissociabilidade entre os eixos de ensino, pesquisa e extensão, permite às instituições novas possibilidades de organização de seu funcionamento”, afirmou. “Estamos aí com o Plano Nacional de Educação recente, de 2014, que por meio da meta 12.7 responsabiliza as instituições de ensino superior a assegurar no mínimo a questão dos 10% de total de créditos curriculares exigidos pela graduação com seus programas e projetos de extensão”.

Para iniciar a discussão, a superintendente acadêmica de extensão da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ana Inês Sousa, contou aos participantes a experiência da universidade na implementação da extensão no currículo. De acordo com Ana Inês, o processo iniciou em 2011, com a realização de um levantamento online nos cursos de graduação para verificar como estava a creditação da extensão.

Seurs AnaCom o diagnóstico, a UFRJ percebeu que a maioria dos cursos não cumpria o percentual estipulado no Plano Nacional de Educação. “A partir desse momento, passamos a analisar as grades e, em 2013, foi aprovada uma resolução estabelecendo 10% de creditação da extensão em todos os currículos de graduação”, destacou Ana Inês.

Segundo a superintendente acadêmica de extensão, o processo ainda está em andamento e a finalização está prevista para o primeiro semestre de 2017. “Já temos 15% dos cursos com as grades alteradas e os demais estão em fase de alteração. É um processo longo e é necessária a discussão coletiva para avançar”, comentou.

Como resultados do trabalho realizado até o momento, a universidade elaborou um livro sobre o assunto, o “Guia de creditação da extensão na UFRJ”, e também o “Mapa da extensão”, para divulgar os locais, endereço, contato e resumo das ações. “Também criamos um módulo no sistema de matrícula para que o aluno visualize as atividades existentes para facilitar o contato para atuação”, contou.

O outro participSeurs Andréante da mesa foi André Dala Possa, diretor de Extensão do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). “Estamos buscando articulações com outras instituições, e isso tende a aparecer mais fortemente a partir deste evento. A maioria das instituições de ensino superior passou por transições de gestão no ano passado. Esses novos gestores precisaram se apropriar deste tema da curricularização da extensão para iniciar agora um processo mais qualificado”, destacou André.

De acordo com ele, não é possível enfrentar esses desafios sem antes refletirmos sobre o que é extensão. “Precisamos clarear, enquanto instituições de ensino superior, o que é a extensão e, também, qualificá-la para que esteja à disposição dos nossos alunos. Ao mesmo tempo em que estamos tentando alcançar os 10%, com resultados ainda pouco expressivos, estamos tentando qualificar o que já existe, a começar pela formação de nossos educadores, tanto docentes quanto técnicos, grupo pedagógico”, afirmou o diretor. “Estamos diante de uma oportunidade única na extensão universitária brasileira.”

Durante o debate, o diretor de Extensão disse que as instituições recebem alunos que cada vez mais estão desinteressados pela escola. “Se temos um cenário de desinteresse dos adolescentes e jovens em relação à educação, nós temos na extensão a oportunidade de possibilitar o protagonismo deste estudante. O estudante tem que se perceber dentro da universidade, e a universidade precisa dialogar com o contexto em que ele está inserido para possibilitar a transformação”, destacou. “Se insistirmos em uma universidade puramente academicista, com pesquisas não necessariamente pautadas na realidade dos estudantes, nós vamos perdê-los.”

Texto e fotos: Marília Massochin e Wagner Lenhardt – Cecom/Seurs