Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) foram criados por meio da Lei nº. 11.892, de 29 de dezembro de 2008, a partir da integração ou transformação das instituições então existentes, a saber, Escolas Técnicas e Agrotécnicas Federais, Escolas Técnicas e Colégios Agrícolas vinculados às Universidades Federais e Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETs). Neste contexto, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Catarinense (IFC) foi criado a partir da integração das Escolas Agrotécnicas Federais de Concórdia, Rio do Sul e Sombrio e dos Colégios Agrícolas de Araquari e de Camboriú, vinculados à Universidade Federal de Santa Catarina, os quais foram transformados em seus primeiros cinco câmpus. Foi criada também a sede (Reitoria), instalada na cidade de Blumenau-SC.

A Lei nº. 11.892/2008 alterou a característica central das instituições que deram origem ao IFC, até então focadas no ensino profissional de nível técnico, pois essas passaram a se caracterizar como instituições de Educação Superior, Básica e Profissional pluricurriculares e multicampi. Para tanto, novas finalidades foram traçadas, dentre as quais se destacam: a integração e a verticalização da educação básica, profissional e superior; a realização de pesquisa aplicada, a produção cultural, o empreendedorismo, o cooperativismo e o desenvolvimento científico e tecnológico; e o desenvolvimento de programas de extensão e de divulgação científica e tecnológica. Além disso, dentre os objetivos fixados constam, dentre outros, a oferta de Educação Superior em cursos de tecnologia, licenciatura, bacharelados (especialmente engenharia) e de pós-graduação lato e stricto sensu.

Embora a referida Lei tenha mantido, nessas instituições, os cursos profissionalizantes técnicos de nível médio, prioritariamente integrados, os quais devem responder, ao menos, por 50% das matrículas, ela também estabeleceu que os Institutos Federais devem promover a integração e a verticalização da Educação Básica à Profissional e Tecnológica e à Superior, compreendendo tanto a graduação quanto a pós-graduação. Estabeleceu, ainda, um mínimo de 20% do total de matrículas destinado aos cursos de formação de professores para a Educação Básica e Profissional. Ademais, os Institutos Federais passaram a ter responsabilidades com o desenvolvimento de pesquisa aplicada, de extensão e de educação profissional de caráter investigativo, atendendo as demandas sociais e peculiaridades regionais.

Estas mudanças supramencionadas colocam aos Institutos Federais um duplo desafio fundamental: construir uma nova identidade, não limitada à formação técnica de nível médio, e, ao mesmo tempo, compreender e situar-se nesse contexto complexo de continuidades e rupturas hodierno para embrenhar-se no desafio de desenvolver ensino, pesquisa e extensão em sintonia com o tempo presente e futuro, isto é, um “vir a ser”.

O IFC deu um salto significativo de 2009 até 2013, pois, atualmente, conta com onze câmpus em atividade, localizados nas cidades de Araquari, Blumenau, Camboriú, Concórdia, Fraiburgo, Ibirama, Luzerna, Rio do Sul, São Francisco do Sul, Sombrio e Videira, além de três “câmpus avançados” em fase de construção e instalação, nas cidades de Brusque, São Bento do Sul e Abelardo Luz. Tal salto ocorreu também na oferta de cursos superiores, que, no mesmo período, passou de dois para 28, totalizando 573 vagas gratuitas ofertadas em diferentes regiões do Estado de Santa Catarina, além de aproximadamente 10.000 estudantes distribuídos em cursos de formação inicial e continuada (FIC), do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja), do nível Médio/Técnico, do nível Superior e de Pós-Graduação. Em 2014, o IFC ofertará 2.558 vagas gratuitas à comunidade regional, entre cursos superiores e técnicos.

Destaca-se que foram criados cursos superiores nas áreas de Ciências Agrárias, Tecnologia de Informação e Comunicação, Engenharias e Licenciatura (formação de professores para a Educação Básica e Profissional). Além destes, passaram a ser oferecidos cursos de pós-graduação lato sensu (especialização) e estão tramitando estudos para a criação de cursos de pós-graduação stricto sensu. Ao mesmo tempo, a instituição envidou esforços para implantar, reforçar e ampliar as atividades de pesquisa e de extensão, em razão, de um lado, das exigências dispostas na própria Lei que criou os IFs e, de outro, dos requisitos aos quais os cursos de graduação e de pós-graduação são submetidos pela legislação brasileira vigente.

Os Seminários Integrados de Ensino, Pesquisa e Extensão surgiram neste contexto, como uma forma de buscar um aprofundamento da compreensão e das ações acerca dessa tríade indissociável que passou a ser o sustentáculo, em especial, dos cursos superiores oferecidos pelo IFC.