IMG_8253Na mesa-redonda que tratou dos “Desafios da pós-graduação no Ensino, na Pesquisa e na Extensão no contexto dos Institutos Federais”, durante o primeiro dia do III Seminário Integrado de Ensino, Pesquisa e Extensão (Siepe), estavam não só professores doutores, mas pensadores que trouxeram aos presentes propostas inovadoras de como pensar a interdisciplinaridade.

Como mediador do debate, Reinaldo Fleuri, professor visitante nacional sênior no Instituto Federal Catarinense (IFC), frisou os desafios de se articular os três eixos – ensino, pesquisa e extensão – na instituição. Flaviana Gasparotti Nunes, professora doutora na Universidade Federal da Grande Dourados, foi a primeira a falar.

flavianaA mulher de estatura mediana, olhos pretos, cabelos lisos e escuros rentes ao ombro, entonou a voz e disse que é possível pensar trabalhos interdisciplinares a partir da pós-graduação, e que, ao se deslocar e ultrapassar as tradicionais fronteiras do saber disciplinar fragmentado, o olhar pode ser direcionado a um horizonte mais sistêmico, integrador e multidisciplinar. “Venho de uma universidade nova e periférica, isso quer dizer que é difícil manter um programa de pós-graduação, mas também que essa condição periférica remete a uma imagem de incapacidade de produzir conhecimento. Essa realidade pode ser vista, também, nos Institutos Federais”, esclarece ela.

jacquesJacques Henri Maurice Gauthier, professor doutor no Centro Universitário Jorge Amado, tem um comportamento peculiar: usa adornos de origem indígena no pulso e no peito, tem cabelos e barba grisalhos e veste um chapéu preto que retirou ao conversar de pé com a plateia. Para ele, existe uma conexão do Ensino, da Pesquisa e da Extensão com o ciclo de vida das plantas, pois o que acontece na vida é um modelo para a academia, na medida em que o ser humano está dentro da natureza e precisa conhecer e compreender essa relação. “É preciso ter cooperação para desenvolver conhecimento complexo e não unilateral. Somos organismos que vivemos em sociedade, por isso é fundamental trabalharmos juntos e traduzir o conhecimento que se produz na academia, para que a sociedade entenda o que fazer e possa usar isso nas suas demandas cotidianas”, frisa ele.

retrato-fabianoNeste processo de construir programas de pós-graduação dentro de uma realidade possível, Fabiano Guimarães Silva, do Instituto Federal Goiano, usou de uma fala mansa, mas incisiva, para dizer que é fundamental que a discussão dos programas de pós-graduação envolva o maior número de participantes. Fabiano tem aparência jovial, ocupa o cargo de pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação, e fez questão de relatar que tudo começou com um curso técnico na área agrícola. Contou que desbravou, no IF Goiano, a primeira bolsa de iniciação científica, os oito mestrados e o primeiro doutorado. “Vocês devem estar se perguntando como fazer isso? Precisamos formar gente boa e ver a pesquisa de uma maneira inovadora, ou seja, realizar pesquisa aplicada e levar isso a quem precisa. Nós queremos atuar na pós-graduação? É necessário ter em mente que uma extensão forte nasce de uma pesquisa sólida, e o que faz essa pesquisa ser sólida são diversos fatores, como recursos humanos com perfil e foco, bolsas, recursos anuais da instituição. Tudo isso com vistas à verticalização do ensino, que permite contaminar os alunos com pesquisa e extensão desde o curso técnico e, também, permitir a prática docente e a renovação de conteúdo didático ao colocar em sala de aula mestrandos e doutorandos”, esclarece ele.

Os caminhos para a implantação da pós-graduação no IF Goiano foram intensos, passando pela captação de recursos financeiros das agências de fomento, criação de uma maior interação com o setor produtivo, capacitação dos recursos humanos e contratação de professores com perfil e foco da instituição, fixação dos docentes doutores, estímulo à continuidade dos estudos pelos docentes, parceria com outras instituições de ensino, entre outros.

Ao finalizar, a mesa-redonda deixou aos presentes diversos questionamentos, propostas e inquietações. No fundo, todos os discursos primaram pela vertente de que a pesquisa é um método pedagógico, uma maneira de ensinar o aluno e permitir que ele contribua para a geração de conhecimento que transforme/modifique/altere a realidade social.

Em seguida, o debate foi aberto ao público, que realizou perguntas aos professores. As atividades no primeiro dia do III Siepe se encerraram às 19h30.

Os palestrantes conversaram conosco e falaram sobre os assuntos abordados durante o III Siepe. Confira.

Confira AQUI a apresentação da professora Flaviana Gasparotti Nunes, da Universidade Federal da Grande Dourados.

Confira AQUI a apresentação do professor Fabiano Guimarães Silva, do Instituto Federal Goiano.

* Texto e fotos: Cecom/Siepe.